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Aventura grafitada

Aventura grafitada

sábado, 9 de abril de 2016

Os grafiteiros Speto e Derlon levam sua arte às comunidades ribeirinhas do Pantanal mato-grossense

Sol escaldante, umidade, exércitos de mosquitos e pernilongos e um percurso difícil. Os 147 quilômetros da Estrada Transpantaneira (MT-060) que ligam Poconé ao Porto Jofre, em Mato Grosso, são bastante desafiadores. Para atravessar o caminho, de terra batida, é preciso passar por 122 pontes (120 delas de madeira), o que exige bastante atenção dos motoristas. Mas nada disso desanimou os grafiteiros Speto e Derlon a encarar o desafio de interagir com as comunidades ribeirinhas que vivem na região – diga-se de passagem, uma das mais ricas em biodiversidade do planeta.

Em outubro de 2015, eles cruzaram a placa de madeira entalhada com “aqui começa o Pantanal do Mato Grosso” com seu Jeep Renegade e encararam a aventura. Diante de um terreno acidentado, com diversos obstáculos, lama, poças d’água e pontes que exigem bastante cautela, veículos com tração 4×4 costumam ser os mais indicados para a aventura, especialmente em épocas de chuva. “É importante estar com o estepe em dia e o tanque cheio, uma vez que não há postos de combustível nesse trecho, nem sinal de celular caso ocorra algum imprevisto”, acrescenta Derlon.

Durante a viagem, os grafiteiros pararam em duas comunidades para fazer intervenções artísticas. Em uma delas, Speto aproveitou o cadeado de um portão para desenhar o rosto de uma mulher; uma forma implícita de pedir que elas tenham mais voz ativa. Em outra, a dupla desenhou um “domador de onça”, em alusão a um antigo morador que lhes contou sobre as onças que surgiam na calada da noite atraídas pelas capivaras. “Queríamos obras que dialogassem com aquele ambiente. E isso só foi possível por meio de uma troca com os moradores”, diz Derlon. “Ouvi-los foi essencial, uma vez que aquele registro vai ficar para eles.”

E não foram só os moradores que ganharam com essa troca. Speto e Derlon também puderam, a longo da viagem, buscar nas paisagens bucólicas a inspiração para seus novos trabalhos. Eles observaram diversos animais, como onças, capivaras e jacarés. Mas foram os pássaros que mais encantaram Derlon.“Eu me inspiro muito neles em minhas artes. E encontrar um reduto com tantas espécies foi enriquecedor.”

O resultado dessa aventura, que transportou Speto e Derlon de um ambiente entre quatro paredes para um universo amplo, repleto de verde e ar puro, pode ser conferido nas fotos tiradas pelo fotógrafo Alex Miranda, e na série 4 Estradas x 4 Histórias, feito pela Trator Filmes para o Discovery Theater HD, do grupo Discovery Networks em parceria com a Jeep. “Estamos muito felizes por ter conseguido cumprir a missão de ir até lá e deixar nosso legado”, diz Derlon, com o sorriso dos poucos felizardos que conseguiram combinar sua arte com aventura e significado social.

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