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A estratégia para crescer para além das boas notícias

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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Depois de investir e renovar-se, FCA caminha para a Indústria 4.0 em meio aos sinais de recuperação da economia

por Davide Mele*

No Relatório de Inflação divulgado no final de setembro, o Banco Central elevou a projeção de crescimento do PIB do Brasil de 0,5% para 0,7% este ano. Para 2018, houve uma previsão de crescimento ainda maior, de 2,2%.

Há outros sinais de uma recuperação gradual da economia: investimento estrangeiro direto de 75 bilhões de dólares; exportações de 210 bilhões de dólares; superávit da Balança comercial de 61 bilhões de dólares – mais do que os 45 bilhões de 2016. A economia parou de cair, tocou o fundo do poço e já iniciou um discreto processo de recuperação.

Independentemente do clima de crise política, é importante que a economia volte a crescer. Espera-se que que essas duas esferas, economia e política, possam andar separadas, e o campo dos negócios não seja paralisado por problemas políticos.

O desempenho da indústria automobilística, setor que representa mais de 20% do PIB, ilustra bem essa tendência de leve recuperação da economia. De janeiro a setembro, foram emplacados no Brasil mais de 1,5 milhão de automóveis e comerciais leves – uma alta de 8.6% alta de 8,6% em relação a igual período de 2016, mas ainda 42% abaixo do recorde que alcançamos em 2012, quando vendemos, 3,6 milhões de veículos. A produção da indústria automotiva cresce em ritmo ainda maior. Deve alcançar 2,6 milhões de unidades até o fim deste ano – um crescimento de 25% sobre 2016. A exportação crescerá mais de 40%, somando 750 mil veículos até dezembro. Um resultado relevante para toda a indústria brasileira, inclusive pelo tanto que impacta positivamente outros setores industriais em cadeia.

O fato é que a indústria automobilística investiu muito no Brasil. O setor está mais competitivo, com mais de 20 empresas instaladas e produzindo no país, e outras tantas importando. Desde 2012 – quando o InovarAuto aumentou o nível de nacionalização dos veículos, melhorou sua eficiência energética e a segurança veicular – vivemos um novo ciclo de investimentos. O InovarAuto se encerra neste ano, deixando um histórico de inovação e novos investimentos, levando a indústria brasileira a padrões mais próximos do global.

Neste cenário, a FCA adotou uma estratégia clara de investir e renovar-se. Na verdade, a Fiat Chrysler Automobiles é a empresa automotiva brasileira que mais investiu no país nos últimos cinco anos. Foram R$ 21,9 bilhões entre 2012 e 2017, construindo fábricas, modernizando plantas, desenvolvendo produtos, tecnologias, sistemas de produção, reforçando a cadeia produtiva e, acima de tudo, capacitando pessoas e gerando bons empregos.

A FCA é também a empresa que mais lançou novos modelos nos últimos anos, renovando sua gama completamente. Introduzimos no mercado veículos de alta qualidade, com conteúdos inéditos, que exploram nichos com grande potencial de crescimento. Começamos com o Jeep Renegade, que marcou a volta da Jeep ao Brasil e redefiniu o segmento de SUVs no país. Depois veio o Fiat Toro, e a FCA lidera o segmento de picapes. Em seguida, o Fiat Mobi, um carro projetado para a vida urbana. O Jeep Compass consolidou nossa liderança em um segmento no qual apostamos e incentivamos, o dos SUVs. E, em 2017, lançamos o Fiat Argo, o hatch mais completo em sua categoria, além da família global de motores Firefly, produzidos na mais moderna fábrica de propulsores da FCA no mundo, construída em Betim. Esse longo ciclo de investimentos se completa nos próximos meses, com dois lançamentos que vão movimentar seus segmentos.

Os novos produtos impulsionaram as exportações. Até o fim de 2017, a FCA exportará 145 mil unidades, principalmente para Argentina, México e demais países latino-americanos – o que representa um crescimento de 61% em relação ao ano passado.

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Davide Mele, da FCA Latam, discursa durante evento da Câmara Americana de Comércio (AmCham), no Palácio das Artes, Belo Horizonte, na primeira semana de outubro: o Brasil precisa retomar os investimentos produtivos

Esse longo ciclo de investimentos resultou na construção da mais moderna planta industrial do grupo no mundo – o Polo Automotivo Jeep, em Goiana, Pernambuco, que integra em seu perímetro um parque de fornecedores com 16 empresa. Também investimos na modernização do Polo Automotivo Jeep de Córdoba, na Argentina, que se prepara para lançar um modelo destinado ao mercado latino-americano.
Os investimentos também foram voltados para a modernização do Polo Automotivo Fiat, em Betim, MG, a maior planta industrial da FCA no mundo. A fábrica foi inaugurada há 41 anos e já produziu cerca de 16 milhões de veículos, dos quais 3,5 milhões para exportação. Na verdade, a modernização de Betim é um projeto contínuo. Instalamos uma nova linha de prensas de alta velocidade, que melhora a eficiência e a qualidade do processo. Novos robôs aumentam a qualidade do processo produtivo. Construímos em Betim a maior cabine de pintura do grupo no mundo.

Implantamos novos sistemas de transporte aéreo e criamos o Consolidation Center, que vai aumentar nossa eficiência logística. Criamos o Component Center, para mensuração e testes de componentes com tolerância zero para defeitos. O Development Center integra em um único espaço áreas de desenvolvimento como engenharia, manufatura e qualidade. E instalamos o Value Optimization Center (VOP), que reúne áreas estratégicas de FCA com fornecedores, para aumentar o valor do produto, por meio de qualidade, custo e time-to-market.

O Polo Automotivo Fiat abriga o Centro de Engenharia e Design, capaz de projetar, desenvolver, testar e produzir veículos de padrão. Atraímos para Betim muitos fornecedores, num processo que chamamos de “mineirização”, que permite que a fábrica seja abastecida a partir de componentes produzidos por parque industrial que se consolidou no raio de influência da fábrica.

A partir da tecnologia e sistemas de produção implantados em Pernambuco, os conceitos de Indústria 4.0 se propagam para Betim e Córdoba.

Avançamos muito, mas temos que continuar a avançar. Se queremos ser pioneiros, precisamos inovar. Descobrir e abrir novos segmentos de mercado; investir e acreditar; criar produtos com alto valor agregado; buscar a melhor tecnologia global, e soma-la ao talento local; criar parceria com sua cadeia de valor; ter o foco do consumidor. Mas para isso é preciso contar com um ambiente favorável aos negócios.
Para isto desenhamos a Agenda Automotiva, um mapa estratégico para o desenvolvimento de nossa indústria, a fim de torna-la mais competitiva no Brasil e no exterior. Queremos reforçar e ampliar a cadeia produtiva, com ênfase para os fornecedores, modernizando as empresas e atraindo novas empresas que aportem e desenvolvam novas tecnologias.

A agenda abrange estratégias para recuperação da base de fornecedores, para a localização de tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e engenharia, além de eficiência energética, com destaque para o etanol como combustível limpo, segurança veicular, inspeção técnica veicular e resolução de entraves logísticos. É uma proposta do setor para a nova política setorial que o governo está elaborando, chamada Rota 2030.
A FCA é a empresa com o mais ambicioso plano de investimentos para os próximos anos. Para serem concretizados, porém, estes planos requerem um ambiente previsível de negócios, com respeito às regras pactuadas, segurança jurídica, clareza das normas e previsibilidade de longo prazo. O Brasil precisa, mais do que nunca, da retomada dos investimentos produtivos, para superar a mais longa recessão de sua história. Para isto, precisa assegurar aos investidores um horizonte previsível de longo prazo, com continuidade das reformas, simplificação da estrutura tributária e investimentos em infraestrutura e logística.

 

* Davide Mele é CEO adjunto da Fiat Chrysler Automobiles (FCA) para América Latina

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