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Primeira mulher a competir pela Alfa Romeo comemora volta da escuderia à F1

Primeira mulher a competir pela Alfa Romeo comemora volta da escuderia à F1

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Graziela Fernandes fez história nas corridas de longa distância e torce pelo “cuore sportivo” batendo na Alfa Romeo Sauber F1 Team

Quando, em março, a escuderia Alfa Romeo Sauber F1 Team entrar oficialmente no campeonato de Fórmula 1 de 2018 será a volta às competições da Alfa Romeo, depois de mais de três décadas fora das pistas. Em São Paulo, um coração vai bater mais forte junto com os motores acelerando na Austrália. Graziela Fernandes, ex-piloto, foi a única mulher que correu em uma equipe de competição da máquina italiana. Voltar a ver o carro “cuore sportivo (coração esportivo)” nas pistas de alta velocidade será como um mergulho em um passado de vitórias do qual ela mesma foi protagonista.

A parceria entre Graziela e Alfa Romeo marcou a história do automobilismo brasileiro na década de 1970. A descendente de italianos, nascida no Paraguai e naturalizada brasileira, tem experiência em corridas de alta velocidade desde a adolescência, uma paixão que a levou a importantes vitórias. Ela chegou a disputar provas de longa distância na equipe Willys, a qual tinha Emerson Fittipaldi no hall de pilotos, e também a correr de kart. Mas foi acelerando uma Alfa Romeo GTA que a piloto viveu seus dias de glória.

alfaGraziela faz pose com a Alfa Romeo

A Alfinha era preparada na Itália. Tudo era perfeito nela”, relembra com carinho a simpática senhora que não revela sua idade, mas transparece um entusiasmo juvenil quando fala de sua grande paixão pelo automobilismo.

Graziela fez parte da lendária equipe Jolly Gancia, de Piero Gancia e Emílio Zambello. Ela disputava provas mistas e se destacava nas corridas mais longas. “Naquela época a Mil Milhas Brasileiras era a prova mais importante do ano”, ela relembra. E foi justamente nessa competição que a ex-piloto conseguiu um dos melhores resultados de sua carreira, o sétimo lugar geral juntamente com o companheiro de equipe Carlos Sgarbi entre mais de 60 participantes. A corrida teve como vencedores os irmãos Abílio e Alcides Diniz, que também pilotavam uma Alfa Romeo GTA.

O primeiro lugar na Corrida de Campeões veio para ela no ano seguinte. No hall de conquistas de Graziela ainda estão boas posições nas “6 horas de Interlagos” e nos “300 Quilômetros de Tarumã”, no Rio Grande do Sul. “Corri de GTA até 1974 e não teria parado se não fosse o fato de terem proibido carros importados nas corridas nacionais”, narra, com um leve sotaque castelhano, comentando o fato de que a importação de veículos foi proibida na década de 70 até 1990.

Mas nem o fim da escuderia Jolly Gancia foi capaz de afastar essa grande personalidade do automobilismo das pistas. Em 1983, a “Boneca que Pilota”, como ficou conhecida no começo de sua carreira, voltou às competições, dessa vez na Stock Car. Dois anos depois, em 1985, ela disputou o campeonato de marcas no Rio Grande do Sul, com um Fiat 147.

Pioneira, Graziela também passou a pilotar aviões e se tornou a primeira mulher no Brasil a conseguir o certificado PLA de piloto de linha aérea, que é o mais alto degrau da carreira aeronáutica. “Pilotei vários carros, motos e até barcos. Também voei por 31 anos. Mas foi com a Alfa Romeo GTA que vivi os melhores dias da minha vida”, recorda. “Será emocionante vê-la acelerando novamente, agora na Fórmula 1”, acrescenta.

O sucesso da Alfa Romeo nas pistas de alta velocidade não ficou restrito às corridas de longa distância. Na Fórmula 1, a categoria mais avançada do automobilismo mundial, o modelo fez história. Em 1937, o carro de corrida desenhado por Gioacchino Colombo para competir fez sua estreia na Coppa Ciano de 1938, na Itália. No ano seguinte, o modelo 158 chamado de Alfetta, com 225 cavalos de potência, foi campeão da F1 e em 1951, com o piloto Guiseppe Farina.

A pole position se repetiu um ano depois, com o piloto argentino Juan Manuel Fangio, campeão da F1 dirigindo uma Alfa Romeo 159 (evolução do modelo anterior). Após um período longe das pistas, na década de 70, os motores da Alfa Romeo passaram a equipar os carros da famosa equipe McLaren. Como fornecedora, a marca conquistou uma memorável vitória com Niki Lauda no GP (grande prêmio) da Suécia, em 1978.

No fim da década de 79, Alfa voltou à Fórmula 1 como equipe, onde permaneceu disputando corridas até 1985. Nessa época, o modelo conquistou o sexto lugar na temporada de 1983 e pódios nos GPs da Alemanha e da África do Sul. Ao fim da temporada de 1985, o modelo saiu da F1 e, já nos anos 2014, após fusão da Chrysler com a Fiat, a marca italiana passou a integrar o grupo FCA.

 

180220_alfa_romeo_hero_drivers_sideEscuderia Alfa Romeo Sauber F1 Team estreia nas pistas em março

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