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Um caminho de desafios

Um caminho de desafios

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

No município de Igarassu, cerca de 30 quilômetros do Recife, professores lutam contra a falta de infraestrutura. O Programa Qualiescola tenta mudar essa realidade

A professora Natali Sena da Silva, 31 anos, divide seu dia entre aulas em escolas da rede pública municipal de Recife e outras no município de Igarassu, cerca de 30 quilômetros (Km) da capital pernambucana, ainda dentro de sua Região Metropolitana. Para cumprir a puxada agenda, ela precisa pegar, pelo menos, cinco ônibus todos os dias.

Mas acredite: a rotina, desgastante, é apenas um dos desafios enfrentados pelos professores da rede pública de ensino no Brasil, sobretudo para os que se dedicam ao Ensino Fundamental (formação de base dos alunos).  No País, menos de 5% das escolas públicas têm a infraestrutura adequada para essa etapa do aprendizado, segundo levantamento recente do movimento Todos Pela Educação com dados do IBGE.

“Faltam materiais e recursos”, começa Natali: “Não há apoio dos pais, nem dos governos. Além disso, existe muita heterogeneidade nas salas de aula por problemas de defasagem do aprendizado. Tenho alunos com 15 anos em salas onde a média de idade deveria ser de dez anos”, revela a professora, que, mesmo diante das dificuldades, fala animada sobre os planos para o próximo semestre nesta reta final do ano letivo. “Quero aproveitar o período de férias para planejar as próximas aulas”, ela diz, sorrindo. “Aprendi a amar o que faço.”

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Ensinar português para estudantes de municípios como Igarassu e a vizinha Itapissuma, é a missão que o professor de Ensino Fundamental Adeilton Pereira, 55 anos, escolheu abraçar. Ele era bancário, mas decidiu “se dedicar ao humano”, como gosta de dizer. Mesmo com tanto amor pelo magistério, Adeilton conta que a rotina não é fácil: “Há professores engajados nas escolas municipais, mas como ensinar se falta o básico como a merenda? É preciso políticas públicas para a valorização do ensino e dos professores”, aponta.

Além da falta de recursos e materiais didáticos, a insegurança e a violência, infelizmente, também estão na lista de obstáculos enfrentados pelos educadores. “A gente quer fazer um trabalho bom, mas não tem confiança nem para deixar os materiais nos armários porque os furtos são comuns”, diz Natali. Para Kedma Guedes, 30 anos (dez deles dedicados ao ensino público), essas dificuldades são fruto da falta de investimentos na educação de base. “Deveria ser prioridade, mas somos invisíveis para o sistema, que só desperta quando o aluno vai prestar o Enem”, critica.icc_1056

Kedma mora e trabalha em Igarassu. Dois anos atrás, decidiu que poderia fazer mais pelas escolas na sua região e desde então participa do Programa de Fortalecimento da Educação da FCA, em parceria com as marcas Jeep e Magnetti Marelli e a Prefeitura de Igarassu. O programa utiliza a metodologia do projeto Qualiescola, desenvolvida pelo Instituto Qualidade no Ensino (IQE). A iniciativa visa melhorar a qualidade de ensino a partir de ações com foco na formação continuada dos professores e gestores do Ensino Fundamental público, além de oferecer reforço escolar e avaliação da aprendizagem. A chegada do programa foi um alívio para os profissionais de um município onde havia 20 anos, “nenhum investimento em capacitação dos docentes era feito”, segundo a coordenadora do IQE, Iran Freitas.

Em dois anos, a realidade nas turmas do 3° ao 9° ano do Fundamental de 50 escolas já começou a mudar. Foram percebidos ganhos no aprendizado de português e matemática – focos das formações – inclusive com alcance das metas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e incremento de matrículas no ano passado. “Cerca de sete mil alunos foram beneficiados e outros seis mil devem ser alcançados no município de Paulista, segundo da RMR a adotar o programa, onde as capacitações começam no próximo ano”, comenta Iran Freitas. Outros dois municípios, um em Pernambuco e outro em Minas Gerais serão comtemplados em 2017.

Os alunos do 5° ano da professora Vandelma Silva, 41 anos, também de Igarassu, tinham deficiência em leitura. “Eles estão terminando o ano bem melhores, em grande parte pelo auxílio dessas formações, que oferecem subsídios e materiais para aplicação das metodologias de uma forma atrativa em sala de aula”, celebra.

Kedma acredita que a parte mais gratificante do trabalho do educador seja ver o desenvolvimento de seus alunos: “Para mim, ser professor não é somente ensinar a ler e escrever. É contribuir para a formação de um cidadão com pensamento crítico. Isso é a grande força que motiva todos o professores.”

 

* O Programa de Fortalecimento da Educação é uma iniciativa nacional do Grupo FCA e conta com o apoio das marcas Fiat, Jeep e Magnetti Marelli, além das prefeituras beneficiadas, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, Banco do Brasil e Banco do Nordeste.

 

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